Dia do Produtor de Tabaco

Santa Cruz do Sul/ RS – Motivos é que não faltam para comemorar o Dia do Produtor de Tabaco, celebrado nesta sexta-feira, dia 28 de outubro. O Jornal Gazeta do Sul traz na edição de hoje um suplemento especial que homenageia as famílias fumicultoras por seu trabalho. Com textos de Cristina Severgnini, da Otimiza Comunicação, e edição de Igor Müller e Otto Tesch, o encarte tem 16 páginas. As fotos são de Inor Assmann e Lula Helfer, com projeto gráfico de Márcio Machado.

No texto de abertura, o jornalista Romar Beling (romar@editoragazeta.com.br), editor da Editora Gazeta, apresenta sua visão sobre a produção de tabaco. “A cultura gera emprego, renda e progresso no campo e na cidade, por vezes até para os que combatem o tabaco e que, assim, também dependem dele. É atividade formal, que paga tributos e faz muito bem ao meio ambiente”, opina. Leia a íntegra do texto a seguir:

Quando o tabaco faz bem

Quando o assunto é produção de tabaco, sinto-me em plenas condições de opinar ou de escrever a respeito com alguma propriedade. Sou filho de produtores rurais, que se dedicaram ao cultivo dessa planta por mais de três décadas, e sempre tiveram nela a melhor fonte de receita para o seu sustento. Ainda que tivesse ido morar na cidade muito cedo, quando adulto, nas férias, e sempre que a rotina me permitia, auxiliava a família nas tarefas de colheita, com orgulho e satisfação. Que período maravilhoso da minha vida! E, a exemplo da maioria de meus amigos, filhos dos vizinhos, pude me dedicar ao estudo porque havia fonte de renda que permitia a meus pais custeá-lo. Tornei-me jornalista, sei bem disso, porque havia o tabaco.

Meus pais, Lira e Laurindo, plantavam tabaco, mas nunca, um único ano sequer, plantaram só tabaco. Sempre tiveram várias fontes de receita, do gado de leite ao de carne, dos peixes às ovelhas, do eucalipto à eventual venda de excedentes de culturas de subsistência, caso de feijão, milho, frutas. Com todos os vizinhos ocorria a mesma coisa. A família costuma cultivar dois, talvez três hectares com tabaco, cujo ciclo se estende por cerca de quatro meses. O resto da área da propriedade, e o resto do tempo, é dedicado a outras tarefas. E meus pais só deixaram de cultivar tabaco porque, a certa altura, com alguma limitação de mão de obra (e o filho já não vinha com tanta frequência ajudar), optaram por outras fontes de receita. Estas, inclusive, o tabaco impulsionou: gado de corte, peixes, reflorestamento, soja, frutas, sempre com a área reservada à floresta nativa e aos mananciais de água. Está tudo lá, para ser visto e comprovado.

Quem entende de tabaco, quem uma vez plantou, colheu, manuseou, preparou para a venda, sabe que ele se assemelha a vinho, chocolate, chá, uísque, café. Não por acaso, em todos se fala em blend, flavor, aroma, sabor. Todos estão presentes na história humana desde sempre. Os ocidentais descobriram o tabaco pelo olhar da comitiva de Colombo, quando chegou à América. Cinco séculos depois, segue bem presente, ainda fonte de aroma, sabor, relax (como um charuto, um cálice de conhaque, um bombom, uma taça de chá, um bom café), e é de duvidar que algum dia deixe de estar.

Ao produtor de tabaco, na data a ele dedicado, cumpre referir que, a exemplo de todos os bens de consumo, o que determina a existência de um produto é procura, aceitação, demanda. É decisão de consumidor, de governo, de nação. Se há quem queira comprar, há quem dê um jeito de garantir a oferta. Há quem queira comprar tabaco, há quem queira consumi-lo, e inclusive não em pouca quantidade. Por quanto tempo isso durará? Bem, não há bola de cristal para descobri-lo. O futuro, a bem da verdade, ao futuro pertence. Hoje, tabaco gera emprego, renda e progresso, no campo e na cidade, por vezes inclusive para os que o combatem, e que assim, ironicamente, também dependem dele. É atividade formal, que paga tributos, cuida muito bem do meio ambiente e das pessoas, gera sempre satisfação.

Além do mais, se – e quando – houver evidência clara, real, inquestionável, de que o tabaco não interessa, de que pode ser dispensado (como outras coisas na vida), e que as famílias com ele ocupadas terão seus direitos preservados (de renda e de subsistência), então, que cada família possa decidir por si, se quer sair da atividade ou seguir nela. Se decidir permanecer, que o faça, e com orgulho. O mesmo orgulho com que eu, na condição de jornalista, às vésperas da Conferência das Partes, a COP 7, em Nova Délhi, na Índia, me animo a falar muito bem dessa honesta e gloriosa atividade agrícola.

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