Conhecimento para melhorar a vida no campo

Candelária/RS – A semente está plantada. A apresentação, ontem, da primeira turma do Programa de Aprendizagem Profissional Rural do Instituto Crescer Legal simboliza um primeiro passo à transformação, por meio do conhecimento, da vida de 20 jovens candelarienses. Filhos e filhas de agricultores familiares do município, participam do curso Empreendedorismo em Agricultura Polivalente – Gestão Rural. Os encontros diários começaram no dia 9 de maio e se estendem por um período de 11 meses.

Em Candelária, as atividades do programa acontecem na Escola Municipal de Ensino Fundamental São Paulo, local do evento de ontem. Viabilizado com a parceria da Prefeitura de Candelária e de recursos doados pelas associadas do instituto ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica), o projeto-piloto ainda beneficia jovens rurais de outros quatro municípios do Vale do Rio Pardo. Em Vera Cruz, as aulas também já estão em andamento. Além disso, serão contemplados mais 60 jovens em Santa Cruz do Sul, Vale do Sol e Venâncio Aires.

Embora ainda não tenha certeza sobre se quer ou não seguir no meio rural, a aprendiz Gabriele Faber acredita que a participação no programa pode trazer novas possibilidades. A dinâmica das aulas tem agradado à jovem moradora de Linha do Rio, que está no terceiro ano do ensino médio. “A gente aprende de uma forma diferente, mais leve que no colégio normal. Os debates são sempre em círculos.” Simone Faber espera que o curso qualifique o futuro profissional da filha. “Eu gostaria que algum dos meus filhos continuasse na propriedade, seguisse o que a gente começou. Talvez o curso incentive isso”, diz a agricultora.

Renan Denis de Moura, de 17 anos, vê no curso a oportunidade de troca de conhecimentos. A propriedade de 24 hectares onde ele reside com os pais e a irmã fica na localidade de Linha Alta. O jovem aprendiz rural, que já concluiu o ensino médio e um curso técnico em agronegócio, pretende ir trabalhar na cidade, mas não quer perder a ligação com o campo. A mãe dele, Márcia de Moura, comemora a oportunidade. “Gostaria que ele tivesse uma vida mais fácil que a nossa. A agricultura é muito sacrificada, mas ao mesmo tempo, ninguém vive sem o nosso trabalho”, observa.

Os adolescentes possuem contratos como jovens aprendizes e recebem salário proporcional a 20 horas semanais, além de certificação e demais direitos de acordo com a Lei de Aprendizagem. De acordo com o diretor-presidente do Instituto Crescer Legal, Iro Schünke, o programa é o grande produto da entidade. “Trabalhamos no sentido de combater o trabalho infantil, mas também criar alternativas para os adolescentes rurais”, destaca.

Cinco módulos

A educadora referência Cristiana Rehbein explica que o Programa de Aprendizagem Profissional Rural do Instituto Crescer Legal é dividido em cinco módulos. Segundo ela, a turma em Candelária está no primeiro desses eixos, onde é trabalhada formação da identidade do jovem e o perfil produtivo da propriedade da família. “Todos os outros eixos enfatizam o desenvolvimento do aprendiz para que ele possa ser, talvez, um sucessor, ou o gestor da propriedade, ou abrir outras oportunidades para ele.”

Cristiana conta que os encontros dos aprendizes em Candelária acontecem todas as tardes, das 13h15 às 17h15. Ela considera que o curso é dividido em atividades teóricas, realizadas na Emef São Paulo, e práticas, dentro das propriedades dos estudantes. “O curso dura mais de 900 horas e passa por vários percursos. Buscamos uma dinâmica mais prazerosa, muitos encontros em grupo e participação coletiva”, argumenta. Texto: Leandro Porto, Jornal Gazeta do Sul

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