Com menos riscos, cigarro eletrônico pede passagem

Romar Beling, Jornal Gazeta do Sul

Santa Cruz do Sul/RS – Empresas do setor de tabaco já dedicaram anos de pesquisa e investiram bilhões de dólares a fim de prospectar produtos para fumantes que possam oferecer menor risco à saúde, por não envolverem a geração de fumaça. Conforme a Philip Morris, inúmeros estudos comprovam que produtos alternativos ao cigarro convencional – caso do IQOS, que fabrica – podem reduzir em até 95% os riscos. E observa que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) tem reconhecido que os produtos alternativos são menos agressivos. As alternativas, no caso, envolvem dois tipos de cigarros chamados eletrônicos (ou smoke-free, sem geração de fumaça): os de tabaco aquecido e os vaporizadores.

Explanação feita por dois especialistas da Philip Morris International durante visita realizada pela Gazeta do Sul ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento e à fábrica do IQOS em Neuchâtel, na Suíça, no início de outubro, demonstra o grau de avanços já obtidos pela empresa no processo de redução no nível de possíveis danos à saúde. O farmacêutico Rui Minhos, chefe do Engajamento Científico Regional, e o especialista Nuno Fazenda, gerente de Engajamento Científico, enfatizaram que a fumaça, decorrente da combustão do cigarro convencional, é a grande responsável pelos efeitos nocivos do consumo de tabaco. Ao evitar-se ou eliminar-se a geração de fumaça, os riscos são muito minimizados.

Estudos realizados por organismos de expressão global sinalizam que os riscos decorrentes do cigarro eletrônico seriam equivalentes a 95% do nível de parar totalmente de fumar. Porém, no âmbito da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (CQCT) praticamente não houve evolução no debate ou na avaliação das alternativas. Entre uma Conferência das Partes e outra, até a recente COP-8, em Genebra, o tema não evoluiu.

A OMS já reconhece, em relatórios, os produtos de risco diferenciado”, salienta Minhos. “Mas se a OMS admite que há redução de risco, diante das evidências existentes, a CQCT segue entendendo que todos os produtos são iguais. É uma incoerência”, afirma Fazenda. “Hoje o mercado recebe produtos com combustão e produtos sem combustão. Entendemos que produtos diferentes devem ser regulados também de maneira diferente.”

Mercado

Minhos lembra que quando a CQCT foi lançada, nos anos de 1990, os produtos eletrônicos sequer existiam. Naquela década, as fabricantes foram em busca de produtos que pudessem minimizar os riscos à saúde em relação ao cigarro convencional, mas a própria Convenção-Quadro em nada evoluiu no tratamento desse tema. Um comunicado científico assinado por 72 especialistas chegou a ser enviado à OMS para alertar quanto à necessidade de o assunto ser tratado na CQCT. Sequer teria havido retorno quanto ao recebimento desse documento.

Os chamados produtos smoke-free já foram colocados à venda em vários países nos quais o comércio está legalizado. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) continua barrando esse comércio, sob o argumento de que ainda não existem informações claras ou concretas de que esses dispositivos não fazem mal ao consumidor na mesma linha do cigarro convencional. Uma das observações dos especialistas da Philip Morris diz respeito às dificuldades existentes para divulgar que os novos produtos de tabaco podem reduzir os riscos à saúde. “Como esclarecer a população, tanto fumantes quanto os que não fumam, se as informações não podem ser compartilhadas?”, diz Minhos.

O argumento de organismos como a Anvisa de que os dispositivos eletrônicos poderiam ser chamariz para jovens é refutado pelos especialistas. Citam o custo como um impeditivo, além do fato de eles serem colocados à venda em locais específicos. O dispositivo eletrônico custa na faixa de US$ 80,00 (cerca de R$ 320,00), além da necessidade da aquisição posterior dos heets (o equivalente ao cigarro), ao custo aproximado de US$ 4,20 por carteira, num investimento total de quase R$ 400,00 só para iniciar.

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