Coluna Por Dentro da Safra: ainda tem muito trabalho no galpão

Por: Giovane Luiz Weber, produtor de tabaco

Opa, pessoal! Tudo bem? Na semana passada, a gente falou dos canteiros. Nesta semana, finalizamos a semeadura da safra 2019/20. Mas como muitos fumicultores não plantam só tabaco, têm outras atividades, eles ainda têm produto em casa para ser aprontado. É nosso caso também. Vamos ter tabaco seco para trabalharmos até metade de junho, se tudo correr bem. Havia silagem para ser feita, milho para ser colhido, quermesse para ser organizada, e assim por diante.

Ninguém quer saber de mofo
Um dos grandes problemas do tabaco armazenado, agora que começa o inverno, com muitos dias de chuva, frio e umidade, é o mofo. Se o produto estiver bem guardado, ele fica tranquilo, não tem nada que o prejudique. Mas se porventura ele pegar alguma umidade em excesso, pode criar um bolor que danifica a folha, com perdas de qualidade e umidade demais, e as empresas muitas vezes descontam depois, na hora da classificação.

Todo cuidado é pouco
Para evitar o mofo, quanto mais seco a gente puder tirar o tabaco da estufa, melhor. No ponto em que não quebre. Não pode estar seco demais, porque daí vai quebrar a folha e perder peso. Mas não se pode tirar ela úmida, pois assim não vai durar muito tempo. Guardada no ponto ideal de seco, sem umidade, protegida com lona plástica, bem vedada, isso proporciona o maior tempo possível de guarda no galpão. Mas, mesmo protegido, se fica seis, sete meses armazenado no galpão, o tabaco começa automaticamente, por cima, por fora do monte, a puxar bolor. Por dentro da pilha, fica saudável.

Como evitar esse problema
O mofo ocorre no tabaco pelo seguinte. Quando a folha é curada, estando bem seca, tudo bem. Mas ela também pega umidade, e os meses vão se passando. A gente começa a colher na metade de outubro. Em muitos casos essas folhas de baixeiro, de segunda apanha, ficam guardadas por seis, sete meses, ou até mais. Toda folha, quando cai, a gente sabe que apodrece na natureza em questão de dias. No galpão, com a cura, a gente consegue manter ela por mais tempo. Mas se não for bem armazenada, houver brecha na lona, pegar umidade, os fungos começam a crescer em volta.

E amanhã tem tratoraço
Bem, se lá no galpão o fumo está seco, aguardando para ser beneficiado e levado à indústria, onde gera riquezas para nós, agricultores, e para o governo e sociedade, em forma de impostos, e ainda trabalho aos safreiros, amanhã, dia 15 de maio, em Santa Cruz do Sul, vamos fazer uma grande mobilização, organizada pela Fetag e por Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Estado inteiro. Queremos chamar atenção para coisas que estão erradas neste País. Por exemplo: a Reforma da Previdência é necessária, mas não do jeito que querem, penalizando ainda mais a nós, agricultores, que já estamos a céu aberto produzindo o que nos sustenta na propriedade. Fica o convite: vou fazer parte amanhã do tratoraço em Santa Cruz, e todos que puderem podem acompanhar e valorizar essa nossa mobilização.

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