Colheita do tabaco está mais adiantada este ano

Texto: Carmem Ziebell, Jornal Gazeta do Sul

Santa Cruz do Sul/RS – A colheita do tabaco está mais adiantada nesta safra do que em igual período de 2016. No entanto, ainda não está marcada a data da primeira rodada de reuniões entre integrantes das entidades dos produtores e das indústrias para definir o preço de referência nesta safra. A expectativa da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) é que ocorra em dezembro. A partir do trabalho de técnicos das entidades representativas dos produtores nos três estados do Sul, o custo de produção foi atualizado nos últimos dias e deverá ser confirmado até o fim do mês (por isso os números ainda não foram divulgados).

O custo de produção é um dos parâmetros para a negociação do preço. Até meados deste mês, 12% da produção da safra 2017/2018 havia sido colhida nos três estados. No mesmo período do ano passado, o percentual foi de 9%. No Vale do Rio Pardo, a colheita já atinge em torno de 27% do novo ciclo, enquanto na mesma época de 2016 o recolhimento alcançou 21%. O agricultor Carlos Alberto Hoff, de Vera Cruz, pretende concluir a colheita antes do Natal. Ele plantou 82 mil pés de tabaco e iniciou o trabalho no fim de setembro.

O gerente técnico da Afubra, Paulo Vicente Ogliari, explica que o percentual já colhido é maior porque os produtores adiantaram o plantio em razão do clima favorável. A estimativa preliminar da Afubra é de que nesta safra sejam colhidas, no Sul do Brasil, 685 mil toneladas de tabaco. Destas, Ogliari calcula que já foram retiradas das lavouras aproximadamente 80 mil toneladas.

No entanto, o estágio atual das plantas varia de uma região para outra. “Enquanto no litoral de Santa Catarina os produtores já coletaram mais da metade  do tabaco plantado, há áreas do Rio Grande do Sul em que o transplante das mudas para as lavouras ainda não foi concluído, como é o caso de Canguçu.” Quanto à qualidade do tabaco, a Afubra iniciará pesquisa em janeiro. Porém, segundo Ogliari, produtores de algumas regiões dizem que haverá prejuízos devido às chuvas em outubro. Além disso, o tabaco nas últimas semanas não está se desenvolvendo a contento em decorrência das manhãs frias e falta de luminosidade.

Até o último sábado, nos três estados do Sul do Brasil, 15.224 produtores registraram lavouras danificadas por granizo neste ano. Em 2016, no mesmo período, foram 10.158. No Vale do Rio Pardo, o número de atingidos este ano já chegou a 9.660, enquanto no ano passado foram cerca de 3.700. A incidência de granizo foi baixa no ano que passou, comparando com 2015, quando, nessa mesma época, já haviam sido afetadas lavouras de 31.924 agricultores.

Safra frustrada pela ventania

O produtor Carlos Alberto Hoff, de Vera Cruz, está com a colheita dos 82 mil pés plantados entre 25 de julho e 2 de agosto avançada. Na última segunda-feira, ele terminou a retirada da produção de 27 mil pés do tipo Amarelinho, que começou a colher no fim de setembro. Do Virgínia, que compreende o restante da plantação, ele pretende concluir antes do Natal. Mas não está otimista quanto ao resultado da safra em sua propriedade.

A ventania ocorrida em 1º de outubro quebrou os troncos, acima do solo, de mais de 10 mil pés, os quais acabaram secando. Além disso, outra parte da plantação ficou inclinada. “Muito pouco, de 10% a 15%, da lavoura ficou em pé.” Hoff, morador de Linha Capão e produtor de tabaco há 29 anos, diz que a expectativa era de colheita recorde nesta safra mas, devido aos estragos causados pelo vento forte, esta será a menor que já fez.

Na safra passada, ele obteve 16 arrobas a cada mil pés. Agora, acha que não colhe mais de 10 arrobas a cada mil pés. E a qualidade também foi afetada, principalmente das folhas de segunda apanha, que encostaram no solo. Muitas delas apodreceram. As folhas da parte de cima também foram um pouco prejudicadas, pois o vento rasgou as raízes de parte dos pés, impedindo o desenvolvimento ideal das folhas.

Além disso, como parte dos pés de tabaco ficou inclinada,  a colheita se tornou mais demorada, exigindo a contratação de mais um trabalhador para ajudar. Antes, o serviço era feito por Hoff e sete diaristas. Atualmente, mobiliza ele mais oito diaristas.

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