Clima favorece transplante de mudas de tabaco para as lavouras

Texto: Carmem Ziebell, Jornal Gazeta do Sul

A trégua dada pela chuva nos últimos dias, depois de ser quase constante no mês de julho, acelerou o processo de transplante de mudas de tabaco para as lavouras. A segunda-feira ensolarada, por exemplo, foi aproveitada por produtores da região de Santa Cruz do Sul para a realização desta etapa do cultivo do produto. Um deles foi Cleber Fábio Mueller, de 48 anos, que tem duas áreas em Vale do Sol. Em uma, na localidade de Pinhal Trombudo, planta tabaco em cinco hectares, e na outra, em Linha Campos do Vale, cultiva seis hectares com o produto. Nessa segunda-feira, 6, ele começou o transplante para as duas lavouras.

Mueller, que atualmente reside na área urbana, tem oito parceiros agrícolas mobilizados na realização do transplante. Ele relata que gosta de fazer o plantio em agosto e resolveu aproveitar o clima favorável, com a presença do sol, para o início do serviço. Na área de Pinhal Trombudo serão implantados aproximadamente 70 mil pés e na outra, cerca de 90 mil. Ele cultiva tabaco desde os 18 anos, inicialmente junto com o pai, Gilberto Mueller. O inverno chuvoso deste ano dificultou os preparativos das lavouras para o plantio, pois em julho ocorreram muitos dias com chuva e pouco sol, o que não é bom para a cultura.

Segundo o coordenador de Pesquisa e Estatística da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Alexandre Paloschi, a chuva impede a preparação dos terrenos e também dificulta o desenvolvimento do tabaco plantado. “O tabaco gosta de calor, não de frio e chuva”, observa Paloschi. De acordo com a Afubra, até o último sábado, na microrregião de Santa Cruz do Sul, que engloba 12 municípios, mudas já estavam transplantadas em 20% do total da área que deve ser destinada ao tabaco na safra 2018/2019, que deve ser a mesma do ano passado: 33.684 hectares. No primeiro fim de semana de agosto do ano passado, o plantio tinha ocorrido em 22% da extensão total ocupada com o produto nesta microrregião.

Considerando a área total de cultivo nos três estados do Sul, que deve ser igual a de 2017/2018 – 297.460 hectares –, até sábado o transplante de mudas já tinha acontecido em 12% das lavouras do ciclo 2018/2019, enquanto em praticamente igual período de 2017 chegava a 13%. Alexandre Paloschi diz que na microrregião santa-cruzense o transplante está mais adiantado nos municípios de Rio Pardo, Santa Cruz, Passo do Sobrado, Vera Cruz e Vale do Sol.

Ele observa que o período mais indicado para esta atividade nos três estados do Sul, para evitar geadas, é a partir de setembro. No entanto, na microrregião de Santa Cruz alguns municípios têm tendência a fazer o transplante a partir da segunda quinzena de julho.  Este ano, a Afubra está orientando os produtores a não aumentarem a área plantada, se possível, e a buscarem cada vez mais qualidade, pois assim obterão melhor valor na hora da entrega às indústrias.

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