Clima favorece desenvolvimento do tabaco

Texto: Carmem Ziebel, Jornal Gazeta do Sul

Santa Cruz do Sul/RS – A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) prevê que até o final de setembro estará concluído o transplante das mudas de tabaco para as lavouras da safra 2017/2018 na região e nos três estados do Sul do Brasil. Isso porque o plantio está intensificado devido ao fato de não haver previsão de muito frio para os próximos períodos. O clima – com poucos dias de frio e variados períodos com temperaturas acima da média para a estação – está mais propício a essa cultura este ano e favorecendo o desenvolvimento das mudas nas bandejas e das plantas nas lavouras, que está mais rápido.

Agricultores residentes em Linha Rio Pardense, interior de Vale do Sol, Jurema e Rogério Blasi, de 53 e 58 anos respectivamente, na safra anterior perderam quase toda a plantação devido à queda de granizo. Tinham plantado 80 mil pés. Agora estão com expectativa positiva, pois já concluíram o transplante e devido ao clima o tabaco “está bonito”, segundo Jurema. Entre julho e agosto, o casal plantou 50 mil pés do produto e alguns deles já “estão com seis ou oito folhas, sem considerar a parte de baixo”.

Jurema observa que os dias de calor estão contribuindo para o desenvolvimento da lavoura. Na semana passada, relatou que o ideal seria um pouco mais de chuva, porém frisou que a pouca quantidade de precipitações não chegava a ser prejudicial. A expectativa dos Blasi é colher, no total, 450 arrobas. A redução no número de pés plantados este ano é atribuída à necessidade de muita mão de obra na colheita, o que torna alto o custo de produção. Ismeni, 46 anos, e José Alcides Regert, 53, de Linha Capão, no município de Vera Cruz, também estão otimistas.

Os Regert iniciaram o plantio de 35 mil pés de tabaco do tipo Amarelinho em 24 de julho e concluíram no início de agosto. Estão contentes com o crescimento das plantas e otimistas. Se o clima continuar colaborando, esperam obter o mesmo resultado conquistado no ano passado, ou seja, colher em média 10 arrobas a cada mil pés. “É uma produção considerada muito boa por nosso orientador”, destaca Ismeni. De acordo com Regert, o calor ocorrido no começo desse mês ajudou o tabaco plantado a se desenvolver mais rápido.

O casal atua na fumicultura há 26 anos. “É o produto que dá mais rentabilidade”, afirma Ismeni. Eles também cultivam outros produtos e têm dez vacas na produção leiteira. Na resteva do tabaco, plantam milho para consumo na propriedade.

Cerca de 70% das mudas já estão plantadas

O gerente técnico da Afubra, Paulo Vicente Ogliari, informa que até o último dia 26 em torno de 70% das mudas foram transplantadas para as lavouras na região do Vale do Rio Pardo. Na parte baixa dessa área, o percentual é de 90%. No Sul do Brasil, o plantio já chega a 36% das mudas previstas para os três estados (RS, SC e PR). Muitos produtores não iniciaram o transplante antes por receio de que fizesse muito frio, o que não ocorreu. “Agora o plantio está intensificado, até porque não há previsão de temperaturas muito baixas”, relatou Ogliari.

O técnico ressalta que os produtores que anteciparam o transplante para aproveitar o clima bom não tiveram prejuízos e o desenvolvimento das lavouras já plantadas está satisfatório. Aqueles que plantarem o tabaco a partir de agora, também deverão obter o mesmo resultado. “Se continuar fazendo calor e houver chuvas regulares, estará ótimo. É tudo que o tabaco precisa para se desenvolver”, destacou.

A área a ser destinada ao tabaco na nova safra ainda não está definida. A Afubra, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) e suas coirmãs de Santa Catarina e Paraná, mais a Farsul, orientaram os produtores, inclusive por meio de folderes, a reduzir, se puderem, ou manter na próxima safra a área plantada. A intenção é que o produtor tenha maior lucratividade, pois quando a oferta é maior que a demanda o preço diminui. No ciclo anterior, a área plantada nos três estados do Sul foi de 298.530 hectares.

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