Cigarros eletrônicos voltam ao debate em evento no Rio de Janeiro

* Por Pedro Garcia, enviado especial

A dois dias da audiência pública da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em Brasília que vai tratar da possível liberação da comercialização de cigarros eletrônicos e dispositivos de tabaco aquecido no Brasil, um evento nesta terça-feira, 6, vai discutir o papel desses novos produtos fumígenos na redução de danos à saúde humana causados pelo tabagismo. O workshop, que será realizado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), terá cobertura da Gazeta Grupo de Comunicações.

A redução de danos é uma espécie de paradigma que orienta políticas voltadas a minimizar os impactos à saúde de pessoas que não podem ou não desejam parar de usar drogas. Esse modelo, que inicialmente foi utilizado no tratamento de dependentes de heroína, mais recentemente foi aplicado aos estudos sobre tabaco e inspirou medidas como a proibição de fumar em lugares públicos e a restrição da venda de cigarros para menores.

O problema é: embora o consumo de cigarros venha caindo, ainda há muitas pessoas que não querem ou não conseguem parar de fumar com os métodos clássicos (adesivos, gomas de mascar e sprays de nicotina, por exemplo). Para muitos pesquisadores, o que se pode oferecer a esse público são justamente produtos que, ainda que não sejam livres de riscos, oferecem mais segurança.

Estudos indicam que os chamados dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) podem reduzir em mais de 90% os prejuízos à saúde, na comparação com os cigarros convencionais. Isso porque esses produtos dispensam a queima, que é justamente onde a maior parte dos componentes tóxicos dos cigarros é liberada.

No evento desta terça, que é voltado a profissionais da saúde, participarão pesquisadores de vários estados do Brasil, de áreas como cardiologia e pneumologia. Serão apresentadas pesquisas já realizadas sobre o impacto dos DEFs e também haverá um painel sobre a experiência de uma clínica antitabágica no Reino Unido.

*O jornalista encontra-se no Rio de Janeiro a convite da empresa Souza Cruz.

A audiência

Momento histórico para a cadeia de tabaco, a audiência pública da Anvisa será na quinta-feira, em Brasília, e também terá cobertura da Gazeta. A realização da audiência é uma das etapas do processo regulatório da Anvisa, posterior à elaboração de diversos estudos técnicos a respeito do assunto.

Aberta a qualquer interessado, ela deve contar com a participação tanto de organizações antitabagistas quanto de empresas e entidades ligadas ao setor de tabaco. Entre os temas que devem nortear os debates estão as evidências de que os produtos são menos danosos do que os cigarros, seus riscos à saúde, se são úteis para eliminar o tabagismo, se são atrativos para crianças e adolescentes, se causam dependência e se podem funcionar como via de entrada para outras drogas.

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