Campo acompanha com apreensão as notícias que chegam da Rússia

Santa Cruz do Sul/RS – Embora aconteçam distantes das regiões brasileiras produtoras de tabaco, as discussões da 6ª Conferência das Partes estão estreitamente relacionadas ao dia a dia das famílias fumicultoras. Mesmo de longe, os produtores estão atentos às negociações e preocupados com o futuro da atividade, que representa R$ 5,3 bilhões de receita ao campo. Atualmente a cadeia produtiva do tabaco no País envolve 649 mil pessoas, em 651 municípios dos três estados do Sul. A produção atingiu 706 mil toneladas somente no ano passado, gerando US$ 3,27 bilhões em divisas.

Para o produtor Clênio Jair Wlach, de 37 anos, o cultivo de tabaco é uma atividade familiar, assim como na maioria das propriedades. A produção é a principal fonte de renda na área de 17,5 hectares em Travessa Stöelben, em Cerro Alegre Alto, interior de Santa Cruz do Sul. Preocupado com o futuro dos negócios, o fumicultor está atento aos debates. “Tenho acompanhado tudo e conversado muito com nosso orientador agrícola.” O assunto, segundo reforça, é o mais recorrente nas rodas de conversa entre vizinhos. “É a nossa renda que está em jogo”, argumenta.

EM BUSCA DE ALTERNATIVAS

Nos últimos anos, a insegurança sobre a manutenção da lavoura de tabaco levou Wlach a procurar novas alternativas. Além de plantar praticamente todos os alimentos que consome e de apostar na carreira de músico aos finais de semana, o agricultor agora investe no rebanho leiteiro. “É normal que estejamos preocupados, principalmente com o futuro dos nossos filhos.” O trabalho na roça, que envolve ainda a esposa Jussara e a mãe Norma, garante o sustento dos pequenos Guilherme e Gustavo, de 3 e 8 anos. “Nossa esperança é que o governo brasileiro seja sensível ao trabalho que favorece a vida de tanta gente”, comenta.

Michelle Treichel
michelle@gazetadosul.com.br
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