Calor e vento na lavoura: o que eles vão trazer?

Por: Giovane Luiz Weber, produtor de tabaco

Olá, pessoal! Tudo bem? O dia de ontem foi de muito vento e temperatura acima dos 35 graus aqui na propriedade. Com vento forte, o tabaco tem as folhas machucadas, o que não é bom. Na hora da colheita e da secagem, elas vão ter a qualidade comprometida. O pior é saber que o calor, como a meteorologia anuncia, vai ser seguido de frente fria, com chuva. É um cenário em que se formam temporais, com ventania e até queda de granizo, o que danifica não só lavouras de tabaco mas também as de feijão e milho, que já estão plantados e crescendo, bem como verduras, e até os telhados. Na verdade, isso acaba prejudicando todo mundo.

Mas o tabaco se desenvolve bem
O tabaco, aqui na propriedade, desenvolve-se bem. Toma cada vez mais forma. Com exceção do frio que fez há alguns dias, e do vento forte de ontem, estamos animados com o que vemos na lavoura. Tudo tem seu tempo e sua hora, e agora, que chegamos a setembro, ele começa a soltar as raízes e a crescer mais rápido.

Sumiram as mudas no canteiro!
Mas nem tudo é sempre alegria. Já se tem as dificuldades do clima, que costuma nos prejudicar. O que dizer então sobre o que aconteceu no município de Sinimbu? Numa propriedade rural de lá, um agricultor, Matheus Goldschmidt, ao final da tarde ainda tirou foto orgulhando-se do canteiro de mudas, que estavam prontas para irem para a lavoura. No dia seguinte pela manhã, deparou-se com um canteiro inteiro roubado (foto acima). Durante a noite, alguém, de má-fé, talvez mesmo outro agricultor, arrancou todas as mudas, deixando só as bandejas. Como agricultor, se isso ocorresse comigo, num primeiro momento, claro, sentiria muita raiva, e depois se fica triste, porque se sabe que não há o que fazer.

Se alguém nessa circunstância prestar queixa, ninguém certamente vai investigar roubo de mudas de tabaco. São coisas pelas quais o agricultor não precisaria passar. E outro produtor teve todas as mudas de seu canteiro intoxicadas. Ele teve a certeza disso porque chamou o orientador da empresa, pois as mudas estavam amarelando. Fizeram a análise e nela constou que foi aplicado produto químico que está fazendo as mudas morrerem lentamente. Ou seja, não foram roubadas, mas foram danificadas e não podem ir para a lavoura porque isso comprometeria por completo a produtividade logo adiante.

O nosso grande sócio majoritário
Sem falar então do nosso sócio majoritário, que é o governo federal. Basta reparar no resultado financeiro da safra de 2017, na qual 53,1% de tudo o que o tabaco gerou foi recolhido como imposto. O agricultor ficou com 20,6%, a indústria com 19,8% e o setor varejista com 6,5%. Além de o clima comprometer nosso trabalho, além de, como agricultores, termos o risco dos assaltos e de sermos roubados, ainda temos o nosso sócio majoritário, o governo federal, que só tira e praticamente não nos retribui com nada. O que dizer ou pensar disso? Assista ao vídeo no Portal Gaz

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