Área de preservação chega a 30% nos imóveis rurais na região

Texto: Heloísa Letícia Poll, Jornal Gazeta do Sul

Santa Cruz do Sul/RS – Ninguém dedica mais recursos e tempo à preservação ambiental que o agricultor. A afirmação do engenheiro agrônomo Gustavo Spadotti Amaral Castro, da Embrapa Territorial, de Campinas (SP), foi recebida com entusiasmo pelos participantes da 33ª Assembleia Anual da ITGA, na tarde dessa segunda-feira, 22, no auditório do Memorial da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Promovida pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (ITGA), a programação contou, no primeiro dia, com uma série da palestras sobre a realidade do setor.

Doutor em Agricultura, Castro trouxe estatísticas a partir de uma análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Até janeiro deste ano, 4.819.574 imóveis rurais estavam cadastrados – 94% do esperado, com base no número de estabelecimentos agrícolas do Censo de 2006. O estudo ainda revela que a área dedicada à preservação da vegetação nativa dentro dos imóveis rurais, no Brasil, chega a 50%. No Rio Grande do Sul, 4.056.854 hectares, em áreas agrícolas, são dedicados à preservação da vegetação nativa, o que representa 20,48%.

Quem faz a máquina do Brasil girar é a agricultura”, afirma o pesquisador. Além disso, acredita que o potencial agrícola do País esteja alicerçado na busca constante pela aplicação de tecnologias no campo. Na microrregião de Santa Cruz do Sul, que considera grande parte dos municípios do Vale do Rio Pardo, por exemplo, a área destinada à preservação da vegetação nativa, nas propriedades rurais, é de 30%, o que representa mais de 124 mil hectares.

Microrregião de Santa Cruz

  • Número de imóveis rurais: 31.324
  • Área destinada à preservação da vegetação nativa: 124.624 ha
  • Área da microrregião: 556.415 ha
  • Área dos imóveis rurais: 418.017 ha

Iniciativas mantêm o foco no amanhã

A agricultura familiar do futuro foi o foco do primeiro dia de assembleia da ITGA. Para o presidente da Afubra, Benício Werner, o encontro proporcionou um profundo conhecimento a todos os participantes. “Hoje eu me considerei um aluno aqui. Todas as falas foram muito positivas.” Ao mesmo tempo, reforçou a preocupação da organização em trazer convidados que pudessem apresentar pesquisas alinhadas ao trabalho já realizado na região.

Chefe executivo da ITGA, António Abrunhosa citou a necessidade de se pensar em um esforço global para equilibrar oferta e demanda de tabaco nos próximos anos, em relação a uma possível redução na produção. Além disso, destacou a importância do País para o setor. “Um encontro no Brasil sempre tem um peso maior, pela experiência e realidade. Aqui observamos exemplos que são replicados em outros países.” Um exemplo são as alternativas para os adolescentes do meio rural, como o projeto Crescer Legal, apresentado pelo presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), Iro Schünke.

Durante todo o dia, as comitivas ainda acompanharam palestras sobre temas como uma visão geral do agronegócio; desafios do mercado e oportunidades para os produtores de tabaco; tendências globais; perspectivas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO); dados do setor primário brasileiro e oferta e procura de tabaco. Nesta terça-feira, as atividades se concentram na área de eventos do Aquarius Hotel, em Santa Cruz, e também na Profigen, que receberá a visita de um grupo.

Abrunhosa e Werner: destaque para a importância que o Brasil tem para o setor

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