Apesar do preço superior do tabaco, fumicultor fatura menos

Por: Heloísa Letícia Poll

Santa Cruz do Sul/RS – Enquanto produtores começam a redobrar os cuidados com as mudas de tabaco, diante das previsões de frio intenso, muitos contabilizam os ganhos da safra 2018/19. Até o momento, nos três estados do Sul do Brasil, 90% do volume colhido no ciclo já foi entregue. O mesmo acontece na região, onde restam poucos produtores com estoques. Conforme pesquisa parcial realizada pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), o preço médio é de R$ 9,41 o quilo.

Na safra passada, contudo, o valor pago era de R$ 9,29. “Os produtores estão recebendo 1,3% a mais que no ano anterior, mas em contrapartida, a produtividade foi menor”, explica o gerente do Departamento de Supervisão Técnica da entidade, Paulo Vicente Ogliari. Com isso, foram 2.429 quilos colhidos por hectare, enquanto no período 2017/18 chegou a 2.632 quilos por hectare, uma redução de 7,7%.

Dessa forma, mesmo ganhando mais pelo quilo do tabaco, os agricultores tiveram redução no faturamento. A estimativa é que cada um vai receber R$ 1.580,00 a menos por hectare neste ano, uma queda que pode ser vista como consequência das adversidades climáticas registradas ao longo do plantio. Incidência de granizo e chuva e sol em demasia prejudicaram o rendimento da lavoura.

No Planalto Norte de Santa Catarina os problemas climáticos também foram o principal fator que afetou a produtividade. Já no Paraná foi observada perda de qualidade. “O produtor colocou adubo de cobertura e não choveu. Quando choveu, em meados de janeiro, já era tarde. A força que a raiz pegou fez com que o tabaco ficasse muito verde e não amadurecesse”, explica Ogliari

Em frente

Enquanto os números finais da safra 2018/19 são contabilizados, nas propriedades o plantio da próxima começa a ser planejado. De acordo com gerente técnico da Afubra, Paulo Ogliari, muitos produtores já estão preparando a terra para as mudas. Essas, aliás, já apresentam bom desenvolvimento em razão das ondas de calor. “O tempo está apressando o plantio, mas como o frio está chegando é preciso ter cuidado quando a planta estiver no destino final.” Até o momento, por exemplo, 3% do tabaco está plantado no Sul do Brasil.

Com as temperaturas amenas, os produtores devem, por exemplo, fechar o plástico sobre as bandejas para evitar que congelem, o que pode matar as raízes das mudas. “Elas são feitas em quantidade limitada. Se o produtor perder qualquer uma o custo para produzir novas será ainda maior, sem falar que vai ter plantar mais tarde.” Nos casos em que o tabaco já foi transplantado, uma geada muito forte pode acarretar perdas. “Mas esse, infelizmente, é um risco que todos correm”, complementa Ogliari.

Preço médio

Tabaco da safra 2018/19
Rio Grande do Sul………………….R$ 9,65
Santa Catarina………………………….R$ 9,57
Paraná………………………………………….R$ 8,87
FONTE: Afubra

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