Amprotabaco luta contra imposição de novas restrições ao setor

Brasília – Munido de argumentos incisivos sobre a importância da cadeia produtiva do tabaco em mais de 600 municípios brasileiros, o prefeito de Santa Cruz do Sul e presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco), Telmo Kirst, participou na manhã de ontem de reunião com membros da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), em Brasília. O grupo interministerial tem papel decisivo quanto à posição que o Brasil vai levar para a 6ª Conferência das Partes (COP 6) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), que ocorre na Rússia entre os dias 13 e 18 de outubro.

Acompanhado do prefeito de São João do Triunfo (PR) e vice-presidente da Amprotabaco no Paraná, Marcelo Distéfano, Telmo deixou claro que o comprometimento dos municípios não é com o consumo do tabaco, mas com a atividade agrícola. Da lista de pontos de vista e reivindicações condensadas em um documento, destacou dois: a manutenção dos sistemas de crédito e financiamento para os produtores e a não redução da área cultivada com tabaco. “Os prefeitos não vão aceitar restrições de crédito e diminuição do plantio enquanto houver demanda no mundo”, destacou.

As questões levantadas pelo presidente da Amprotabaco se justificam pela preocupação com os documentos que balizam a pauta da COP 6, cujo conteúdo foi divulgado recentemente. O documento apresentado por Telmo Kirst à Conicq ainda destaca que o Brasil é o maior exportador de tabaco, com 627 mil toneladas e US$ 3,27 bilhões, em 2013, e segundo maior produtor mundial, com 706 mil toneladas e R$ 5,3 bilhões remunerados aos produtores. Em Santa Cruz do Sul, a indústria de beneficiamento do tabaco e fabricação de cigarro representou este ano, até o mês passado, R$ 60 bilhões em ICMS arrecadado pelo município.

Diante de todos os argumentos apresentados, o presidente da Amprotabaco afirmou que volta confiante à região. Na reunião da Conicq recebeu a informação de que o governo brasileiro tem autonomia e não deve se posicionar contra a cadeia produtiva do tabaco. Telmo também disse que uma postura de governo contra a fumicultura poderia provocar desdobramentos em Brasília, como a mobilização de produtores de tabaco e de entidades que defendem o setor. “Não vamos aceitar prejuízos”, sentenciou.

O fato de conseguir uma reunião com os membros do Conicq antes da COP 6 é encarado como uma conquista ímpar para a Amprotabaco e para o setor fumageiro. A associação vai continuar acompanhando os próximos passos que tenham relação com a posição do País. Na semana passada, associações e entidades ligadas ao setor participaram de seminário aberto da comissão, em Brasília, e expuseram demandas. Os membros da Conicq se reuniram ontem na capital federal e permanecem reunidos hoje para tratar dos assuntos que o Brasil vai levar para a COP 6. Os encontros fazem parte de um cronograma que vem sendo desenvolvido pela comissão. Ainda não há uma data específica para a divulgação do documento final.

DEMANDAS

O documento que norteou a fala do presidente da Amprotabaco e prefeito de Santa Cruz do Sul, Telmo Kirst, à Conicq, reúne demandas e expõe pontos de vista sobre como vem sendo tratada a questão do tabaco. O texto traz números que sustentam a importância econômica da fumicultura para os municípios e critica acusações atribuídas ao cultivo do fumo, como o desmatamento, o trabalho infantil e a suposta disseminação de pobreza no campo. O documento elaborado pela Amprotabaco também condena qualquer possibilidade de interrupção de financiamentos ou restrições de crédito. No Sul do País, a fumicultura integra 162 mil produtores e envolve 649 mil pessoas na área rural. Além disso, gera 30 mil empregos na indústria.

Marília Gehrke
mariliagehrke@gazetadosul.com.br
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