Acerto sobre preço do tabaco fica para janeiro

Texto: Otto Tesche (otto@gazetadosul.com.br), publicado no Jornal Gazeta do Sul desta sexta-feira, dia 13 de dezembro

Santa Cruz do Sul/RS – As entidades representativas dos produtores de tabaco e a indústria fumageira voltam a sentar à mesa apenas no dia 17 janeiro para buscar um acordo para o preço da atual safra. Nos primeiros encontros, nos dias 22 e 23 de novembro, houve a assinatura do protocolo apenas com a empresa Souza Cruz, estabelecendo o reajuste em 8,35% para a safra 2016/2017 sobre a tabela do ano passado. O índice representa 1,05 ponto percentual acima da variação do custo de produção, de 7,3%. O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, adianta que não haverá negociação abaixo desse percentual.

Depois dos primeiros encontros no mês passado, havia a expectativa que as demais indústrias apresentassem uma posição até ontem. No entanto, o presidente da Afubra afirma que não esperou a data e fez contatos durante a semana e todas informaram que estavam sem condições de apresentar propostas neste momento. Em contato com as federações sindicais que integram a comissão das entidades representativas dos produtores, houve a definição da nova rodada de negociações em janeiro. Benício Werner observa que muitas indústrias param no fim do ano e retornam apenas entre 6 e 12 de janeiro e até a nova data terão condições de formularem suas propostas.

A Souza Cruz é a única indústria que iniciou a compra da nova safra até o momento. O recebimento do produto começou no último dia 5 e nesta fase vai até o próximo dia 20, com a retomada no começo de janeiro. As demais empresas abrem o período de compras apenas no começo do próximo ano. Com o reajuste do preço do tabaco definido em 8,35% com a Souza Cruz, o valor de tabela pelo quilo do fumo do tipo TO2 é R$ 9,35 e o BO1 vale R$ 11,64. Conforme o presidente da Afubra, não há condições de fechar acordo com as demais fábricas em valores inferiores.

Produção de 674 mil toneladas
No Vale do Rio Pardo já houve a colheita de pouco mais de 65% da produção. O trabalho está mais adiantado nos municípios da região mais baixa, próximos a Santa Cruz do Sul. Nos três estados do Sul do País a média do tabaco já recolhido das lavouras gira em torno de 55%. A estimativa de produção da Afubra é de 674.145 toneladas. O presidente da Afubra, Benício Werner, afirma que a previsão das empresas também chega nesse patamar, com cerca de 583 mil toneladas da variedade Virgínia, 81 mil de Burley e 9 mil do comum de galpão.

Na safra passada a produção atingiu 557 mil toneladas nos três estados do Sul, com queda na produtividade por causa do excesso de chuvas e as perdas com o granizo, consequências do fenômeno El Niño. O presidente da Afubra explica que as equipes de campo informaram que a qualidade até agora é equivalente ao ano passado. No entanto, observa que há produtores que colhem o tabaco verde demais com receio de granizo ou falta de espaço na estufas quando as folhas atingirem o ponto ideal. Isso poderá prejudicar na classificação durante a comercialização com as empresas.

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