9º Ciclo de Conscientização reúne produtores de tabaco em Guamiranga

Guamiranga/PR – Cerca de 400 pessoas participaram do 9º Ciclo de Conscientização sobre Saúde e Segurança do Produtor e Proteção da Criança e do Adolescente nessa terça-feira,  dia4 de julho, no município paranaense de Guamiranga. Promovido pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e empresas associadas, com o apoio da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), o 9º Ciclo reuniu produtores de tabaco, autoridades, representantes de empresas e de entidades ligadas à agricultura na Paróquia Menino Jesus.

O presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, abriu o evento enfatizando a relevância dos temas para a vida dos produtores e de seus filhos. “Estamos na nona edição do Ciclo e já realizamos mais de 50 eventos em municípios produtores de tabaco, reunindo um público superior a 20 mil pessoas. A conscientização tem sido o objetivo destes encontros e ela é benéfica por diversas razões. Oportunizar educação aos filhos e preservar a saúde e a segurança dos produtores estão entre nossas prioridades, assim como preservar o nosso negócio, uma vez que cada vez mais o mercado internacional tem preferido produtos que observem aspectos relacionados à produção sustentável”, afirmou.

Os seminários atendem aos acordos firmados perante o MPT-RS e MPT-Brasília. A Afubra, que também é signatária do acordo, esteve representada pelo diretor para Assuntos Ambientais, Adalberto Huve. “A Afubra está engajada nesta campanha e certamente será um dia muito proveitoso para todos os produtores”, reiterou Huve.
Atualmente, Guamiranga conta com quase 800 produtores de tabaco e uma safra anual que gira em torno de 5 mil toneladas. Segundo o palestrante sobre proteção da criança e do adolescente, Dr. Veloir Dirceu Fürst, o tabaco está interligado à história dos produtores e o trabalho está ligado a uma questão cultural.

“O tabaco se tornou, em função da sua cadeia produtiva organizada, uma atividade altamente lucrativa. As famílias àquela época eram numerosas e se buscou uma atividade econômica que gerasse renda e permitisse utilizar a mão de obra da família, considerando que não havia uma restrição nesse sentido. Mas esse cenário mudou quando o Brasil regulamentou por meio do decreto 6481/2008 duas convenções internacionais, seguindo a recomendação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e colocando o tabaco na lista de formas de trabalho proibidas para menores de 18 anos”, explicou Fürst, que é advogado e procurador do Trabalho jubilado pela Procuradoria do Trabalho de Santo Ângelo/RS (MPT/PRT 4ª Região).

O trabalho infantil se caracteriza ao utilizar crianças ou adolescentes para substituir a mão de obra adulta necessária. “É preciso diferenciar trabalho infantil de convivência familiar. Se a criança apenas acompanha os pais e ajuda em pequenas e esporádicas atividades, não caracteriza trabalho infantil. Muitos pais costumam argumentar dizendo que o filho precisa aprender. Se os pais ensinam a atividade, não é trabalho infantil; mas se o trabalho da criança ou adolescente é necessário sempre, privando-a de educação ou de momentos de lazer; isso se caracteriza exploração de mão de obra infantil”, esclareceu.

SAÚDE E SEGURANÇA DO PRODUTOR
A programação seguiu com as informações do Dr. NikoTino sobre questões como a correta aplicação, manuseio e armazenagem de agrotóxicos, bem como sobre a utilização da vestimenta de colheita. Conheça alguns dos pontos destacados sobre o tema:

• Somente utilizar agrotóxicos registrados, de acordo com a receita agronômica;
• Manter o pulverizador em perfeitas condições de uso e sem vazamentos;
• Durante o manuseio e aplicação de agrotóxicos, sempre utilizar o EPI;
• Não permitir a aplicação de agrotóxicos por menores de 18 anos, idosos e gestantes;
• Armazenar os agrotóxicos em armário feito de material resistente, chaveado e destinado somente para esse fim, com acesso restrito a trabalhadores orientados a manuseá-los;
• Não reutilizar embalagens vazias de agrotóxicos para qualquer fim;
• Realizar a tríplice lavagem da embalagem vazia de agrotóxico, utilizando o EPI;
• Sinalizar áreas récem-tratadas com agrotóxicos com placa específica para este fim;
• Usar sempre luvas impermeáveis e vestimenta específica para a colheita;
• Evitar colher o tabaco quando as folhas estiverem molhadas pela chuva ou orvalho;
• Dar preferência aos horários menos quentes do dia para a colheita do tabaco;
• Além do momento da colheita, o produtor deve ficar atento durante o desponte, o carregamento e a cura/secagem das folhas.

Assista ao vídeo completo “O Mundo do Dr.NikoTino”
Saiba mais sobre a Doença da Folha Verde do Tabaco

RÁDIO FASCINAÇÃO – O tom lúdico do evento ficou por conta da peça teatral Rádio Fascinação, encenada pelo grupo de atores de Santa Cruz do Sul (RS), Espaço Camarim, que também interagiu com o público. Cinco jovens aprendizes formados no curso de Empreendedorismo em Agricultura Polivalente – Gestão Rural do Instituto Crescer Legal, participaram da apresentação. Iniciativa do SindiTabaco e de suas empresas associadas para oportunizar qualificação aos jovens rurais, o curso faz parte do Programa de Aprendizagem Profissional Rural, que já formou duas turmas e tem outras três em andamento. Saiba mais sobre o Instituto Crescer Legal emwww.crescerlegal.com.br.

Integrantes da Rádio Fascinação interagiram com o público

Integrantes da Rádio Fascinação interagiram com o público

AGENDA – Depois de Venâncio Aires (RS) e Guamiranga (PR), o Ciclo percorrerá Rio Azul, no Paraná, no dia 05 de julho; Pelotas, no Rio Grande do Sul, no dia 20 de julho; Pouso Redondo e Águas de Chapecó, em Santa Catarina, nos dias 06 e 27 de julho.

Share

Adicione um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *